Trabalhar no Serviço de Apoio Domiciliário pressupõe o confronto com o sofrimento, com vidas limitadas por situações de doença, com a redução das capacidades físicas e com a necessidade de alguém que ampare as mais pequeninas tarefas do dia-a-dia. Mas para que esta realidade não nos entre na rotina, com a frieza da “normalidade”, por vezes somos obrigados a parar e a olhar para a Cruz. Somos obrigados a perceber e a viver plenamente o amor ao próximo.

Temos a certeza de que há pessoas que são colocadas no nosso caminho por alguma razão, para nos lembrar do sentido do que realmente fazemos todos os dias. Pessoas com quem estivemos pouco tempo, mas que tanto nos ensinaram, com esperança, com força, com vontade de ir mais além, com vontade de lutar e de vencer.

Entre Março e Abril, tivemos o privilégio de sermos confrontados e lembrados que a vida é um dom de Deus. Confrontados com esse dom e ao mesmo tempo abalados com a sua fragilidade, com o sofrimento imenso que por vezes envolve, com a sua despedida imprevista, sem aviso, sem preparação.

De facto, servimos Cristo vivo todos os dias. De facto, estas pessoas ajudam-nos e ajudaram-nos a Vê-Lo de forma mais clara, cara a cara. Pessoas com nome, novas e de meia idade, com família, com amigos, com uma vida por trás, mas que dia após dia, presenciaram uma verdadeira Cruz. Pessoas a quem tão pouco pudemos fazer, mas que tanto nos marcaram e ensinaram. Pessoas com os olhos de Jesus, que tocaram o coração de todos os que as conheceram, que nos fizeram pensar sobre o valor da vida e das pequenas coisas, com quem tanto pudemos aprender, mesmo que em silêncio, com serviço, com entrega, com o melhor que temos, com Amor.

Rita Corrêa d'Oliveira

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